10.9.07


Dia de chuva




Hoje, que a chuva cai, ramborilando
Nos vidros da janela; e que, estendidas,
Estas várzeas do exílio esconderidas
Verdes relvas as vão alcatifando;

Que o céu, já mais azul; que o ar mais brando
As almas trazem de ilusões vestidas;
Que a esperança engrinalda tantas vidas
Como lírios nos vales rebentando;

Hoje, amor, que a saudade impiedosa
Me traz anuviado o sentimento,
Minha alma triste se ergue dolorosa;

Ferida no rigor da dura sorte
Que lhe nega da paz do lar o alento,
E implora a Deus a paz final da morte.

Eugénio Tavares (poeta caboverdiano)