7.1.08


Diogo Cão às portas do Zaire


Deste lado da história
o rio morre aqui.
Do mar sabemos nós e aos capitães
a fama da conquista.

Faço-me ao Sul
porque pertenço ao Norte
e a costa só me serve p'ra cumprir
tarefas de abandono.

Meu fim é circular, ir mais além.
Por isso eu sei de estrelas
direcções
e nada sei de fruto
que se projecta e espera.

Cumpro tarefas, sim, porque viajo.
Assim nasci
sabendo o que me aguarda após a descoberta.
Fronteiras
só conheço as do meu lar
e sei amá-lo, só,
noutras distancias.

De Deus, empreendi que mora aqui no mar,
porque sou eu
quem lhe constrói a face.

Ao Rei e a Vós
apenas dou notícias do rumo horizontal.

Pois que sabeis da vertical sagueza?

Ruy Duarte de Carvalho (poeta angolano)