31.1.08

A mãe negra embala o filho


Canta a remota canção
Que seus avós já catavam

Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.

É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.

No céu tão estrelado e festivo
Não há branco, não há preto,
Não há vermelho e amarelo.
Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.

A mãe negra não tem casa
Nem carinhos de ninguém...

A mãe negra é triste, triste,
E tem um filho nos braços...

Mas olha o céu tão estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade...


Aguinaldo Fonseca (poeta caboverdiano)