12.2.08


Eu faço versos


Eu faço versos como saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos...
Sentai, amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos...
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta de meus dedos branco!

"Meu Deus! Mas tu não mudas o programa!"
Protesta a clara voz das bem-amadas.
"Que tédio!" o coro dos amigos clama.

"Mas que vos dar de novo e de imprevisto?"
Digo... e retorço as pobres mãos cansadas:
"Eu sei chorar... Eu sei sofrer... Só isto!"


Mário Quintana (poeta brasileiro)