20.2.08

Menino Jesus da minha cor

Meu Natal Timor,
Meu primeiro Natal.

Quantos anos tinha?
Nunca o soube ao certo.

Minha Mãe-Menina

Fez-me o seu presépio:

Uma encosta arrancada ao Ramelau

Com uma gruta ausente

Cheia de Maromak
E perfume de coco.

Um búfalo e um kuda
E o bafo quente dos seus pulmões.

E um menino sobre a palha de arroz

E folhas de cafeeiro.


Um menino branco

Igual aos que chegavam de longe.


- Ínan, quem é?

- É o Maromak-Filho e teu irmão!


E eu recuei, porque via no berço

Um menino rosado,

Um menino branco

Igual aos que chegavam de longe.

- Ele é, mais do que todos, teu irmão...

- Mas como pode ser um meu irmão?
- É teu irmão: firma-lhe bem os teus olhos, meu amor!

E eu, obedecendo,

Firmei-me todo n’Ele.

E vejo-O desde então
Também da minha cor!

Fernando Sylvan (poeta timorense)