10.2.08


Monangambas


Ronca-os o camião
no jingololo da rua
Eles vão negros
e levam o sol no peito

Monanbambééé...! Monangambééé...!

Passam esquinas de cimento
passam largas avenidas
E ferem-se berros e silvos
Golpeia neles o vento

Monangambééé...! Monangambééé...!

Levam nos rostos firmeza
jimbamba de sonho e terra
Vão de frente para os gritos
Vão-lhes sentindo a dureza

Monangambééé...! Monangambééé...!

Deixam rastos nas estradas
(já é horizonte o seu manto)
pistas reencontradas
e punhos cerrados de espanto

Monangambééé...! Monangambééé...!

Passam os que servem a vida
com a força do seu suor
Ficam nas ruas os desígnios
que dos seus passos nasceram

Monangambééé...! Monangambééé...!


Arnaldo Santos (poeta angolano)