21.2.08

Poema

Eis-nos aqui no caminho
Traçado por nossa mão.
Cada braço traz o punho

e cada punho um punhal.

Bandoleiros na vida,

vida errante era o destino!
Nas costas nasceram traços

da vida dura sem pão.

Rugas dos covais da vida

cemitérios da ilusão!...
Mortos, mortos, mas com vida

quase à beira do chão.
Quase à beira do chão

rastejantes, vermes, podres!...

Pobre miséria do mundo

só o dinheiro é patrão.

Só o dinheiro é patrão

dos vermes sujos do chão
Cada verme traz um punho

com uma faca na mão.


Alexandre Dáskalos (poeta angolano)