16.2.08

Povo


É sempre a mesma história repetida
É sempre o mesmo lodo e a mesma fome
É sempre a mesma vida mal vivida
De quem amassou o pão mas não come.

É sempre a mesma angústia desgrenhada
De quem naufraga em terra olhando o mar
O rubro desespero, a voz magoada
E o sonho bom desfeito ao acordar.

É sempre esse horizonte de fuligem
É sempre esse arranhar em duro chão
Com fúria até ao centro da vertigem
Em busca da raiz da salvação


Aguinaldo Fonseca (poeta caboverdiano)