12.2.08

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis

tocar flauta no jardim.


Estou no começo do meu desespero

e só vejo dois caminhos:

ou viro doida ou santa.


Eu que rejeito e exprobo

o que não for natural como sangue e veias

descubro que estou chorando todo dia,

os cabelos entristecidos,

a pele assaltada de indecisão.


Quando ele vier, porque é certo que ele vem,

de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?

A lua, os gerânios e ele serão os mesmos

- só a mulher entre as coisas envelhece.


De que modo vou abrir a janela, se não for doida?

Como a fecharei, se não for santa?


Adélia Prado (poetisa brasileira)