3.2.08

Surpresa


Sabes? Os cabelos da morte são entrelaçados de flores.
Nada de flores mortas como estas inertes sempre vivas,
Mas inquietas e misteriosas como os não desfolhados malmequeres
Os bravias como as pequenas rosas silvestres.

As mãos da morte, as suas mãos não tem anéis,
Sua virgem nudez não comporta o peso da jóia,
Os seus olhos não são, não são uns covis de treva,
Mas cheios de luz como os olhos do primeiro amor.

Porque a morte não faz esquecer, mas faz tudo lembrar,
Porque a morte não é, não é um sono eterno:
Tu vais adormecer como num berço, pouco a pouco,
E acordarás de súbito num vasto leito de noivado!


Mário Quintana (poeta brasileiro)