9.3.08

As Águas



A chuva regressou pela boca da noite
Da sua grande caminhada

Qual virgem prostituída
Lançou-se desesperada

Nos braços famintos

Das árvores ressequidas!


(Nos braços famintos das árvores

Que eram os braços famintos dos homens...)


Derramou-se sobre as chagas da terra
E pingou das frestas

Do chapéu roto dos desalmados casebres das ilhas
E escorreu do dorso descarnado dos montes!


Desceu pela noite a serenar
A louca, a vagabunda, a pérfida estrela do céu

Ate que ao olhar brando e calmo da manha

Num aceno farto de promessas

Ressurgiu a terra sarada

Ressumando a fartura e a vida!

Nos braços das árvores...
Nos braços dos homens...

Onésimo Silveira (poeta caboverdiano)