10.3.08


Coqueiro



Ali, na Rua do Carmo,
um coqueiro ficou abandonado,
quando destruíram a casa velha

a que deu sombra.


E onde um par enamorado
teve sonhos de amor,
nesse pedaço de Luanda antiga
agora modernizado.


E o coqueiro ligado à terra.
tombado na direcção
da Rua da Pedreira,
como um filho nos maternos braços
ali ficou.
Talvez para saudar alguém
que muito sofreu e amou...


Mas tudo acaba e o tempo
tudo anda a destruir,
— porque tudo é passageiro,
quando se vive a mentir.


Ó pincelada verde na cidade,
ruína e gótica coluna
de mármore verde...


Morre, coqueiro, morre,
Antes que os homens, tão maus,
cometam a crueldade
de te expulsar e matar.


Morre de pura saudade....


E perdoa, mas sofre como um homem,
coqueiro das verdes palmas,
porque tudo, afinal, na vida, é triste,
quando se matam Almas...


Tomás Vieira da Cruz