15.3.08


Eis de repente ...




..... eis de repente
do Lépi a chuva densa
alturas de Nambunagongo
Silongo de Mandume
Chanas que pisei no leste
Maiombe de lendas infindáveis

O ar livre de poeiras dos escombros
Reabre sonhos escondidos na agonia

A velha da tchimanda
Dá o nome de David
E o da Miete
Aos meninos que encontrou
Na estrada

No Tchinguluma
Ouvem-se as abelhas zumbir
Em torno das cores perto do rio

Também viram no Mufupu
Jeremias a cobrir a casa
Com capim novo da chama

Lukau vinda do norte
Trouxe abacates no pano e ofereceu-os
Olhos brilhantes húmidos felizes

Disseram-me hoje
Há folhas verdes outra vez
Nos ramos da loncha da Emanha
Nas mangueiras do salundo
Vozes falam do milho a germinar
No Huma e na Cativa

Passaram os anos em que a morte
Venceu todas as batalhas

Finalmente agora pouco a pouco
Começa a vida a vencer a guerra.


Costa Andrade (poeta angolano)