20.3.08


Era uma vez


Vôvô Bartolomé, ao sol que se coava da mulembeira
Por sobre a entrada da casa de chapa,
Enlanguescido em carcomida cadeira
Vivia
- relembrando-a -
A história de Teresa mulata

Teresa Mulata!

Essa mulata Teresa
Tirada lá do sobrado
Por um preto d'Ambaca
Bem vestido,
Bem falante,
Escrevendo que nem nos livros!

Teresa Mulata
- alumbramento de muito moço -
Pegada por um pobre d'Ambaca
Fez passar muitas conversas
Andou na boca de donos e donas...

Quê da mulata Teresa?

A história da Teresa mulata...
Hum...
Vôvô Bartolomé enlanguescido em carcomida cadeira adormeceu
O sol coando das mulembeiras veio brincar com as moscas nos
[lábios
Ressequidos que sorriem
Chiu! Vôvô tá dormindo!
O moço d'Ambaca sonhando...


António Jacinto (poeta angolano)