8.3.08

Trajectória




Agora sei,
que não sou mais
aquela,
que bebeu leite
no peito de minha mãe.
- a que tremeu de medo
pela escuridão
do velho quarto
e tambem
a que guardou
o segredo do amor
sem corpo
nas horas inteiras
só de um sonho...

Agora sei
que não sou mais.

Porque o amor bate temporais
nas minhas veias,
e o tempo nasce luas
e árvores, nos olhos comuns e fundos,
porque o meu corpo
é uma folha trémula e branca
desesperadamente pura,
sob a caligrafia firme
das tuas mãos
suspensas,

é que eu sei,
que não sou mais
aquela.


Alda Lara (poetisa angolana)