4.4.08


De boca Concêntrica


Depois da hora zero
E da mensagem povo no tambor da ilha
Todas as coisas ficaram públicas na boca da república
As rochas gritaram árvores no peito das crianças
O sangue perto das raízes
E a seiva não longe do coração

E

Os homens que nasceram da estrela da manhã
Assim foram
Árvore e Tambor pela alvorada
Plantar no lábio da tua porta
África
mais uma espiga mais um livro mais uma roda
Que
Do coração da revolta
A Pátria que nasce
Toda a semente é fraternidade que sangra

A espingarda que atinge o topo da colina
De cavilha e coronha
partida partidas
E dobra a espinha
como enxada entre duas ilhas
E fuma vigilante
o seu cachimbo de paz
Não é um mutilado de guerra
É raiz e esfera no seu tempo e modo
De pouca semente E muita luta.


Corsino Fortes (poeta caboverdiano)