15.4.08

Novembrina Solene


Seu Zuzé, as tuas vacas, como estão?


Longe daqui,
subimos os morros


fomos procurar
a água que resta
do ano que passa.


Senhora Luna
a farinha


Está a secar.


Tarda a chuva
seca o milho


a lavra não vai medrar.


Tchimutengue, meu vizinho
então por cá?


Pois que vim te visitar
te avisar
que o meu gado vai passar
aqui por perto.


Tarda a chuva e é preciso
procurar o que lhe dar de comer
o que dar de beber


o capim está a ficar netro


está na hora de mudar.


Imigrante Silva, a tua mulher?

Está mal.

Que é do leite para lhe dar
a carne para lhe engordar?

E os filhos?

Estão magrinhos
doentados
vão ficar igual ao pai.

Que é da escola para lhes dar
sapatos para lhes calçar?

Dunduma amigo
Companheiro Chipa
Zeca Ernesto, Calembera,
olhai pelo gado.
Protegei os pastos.
Olhai pela vida das fêmeas
e pela saúde dos machos


Ruy Duarte de Carvalho (poeta angolano)